
Os dois chegaram ao ponto de encontro. Arrumados. Vívidos. Cheios de amor e sonhos.
- Pronta? – disse ele.
- Na verdade, não. – respondeu ela. – Você sabe que isso vai fazer de mim uma “traidora”, não sabe?
- Todos nós somos traidores alguma vez na vida.
- Você não lembra como ficou quando ela te traiu?
Ele ficou quieto por alguns segundos e abaixou a cabeça.
- Você sabe por que fiquei arrasado quando ela fez isso comigo? Porque significa que ela não me amava. Não o suficiente para não querer me machucar.
Ele calou-se e depois continuou.
- Esse é o ponto de trair. Quando você realmente ama alguém, você quer proteger essa pessoa a qualquer custo. Você faz qualquer coisa para mantê-la segura.
- Eu amo ele! – ela brandou.
- Não, não ama. Se amasse, você não teria vindo aqui.
Ela ficou atordoada com o comentário.
- Tudo bem, eu acho que amo ele. Não importa o que aconteça, eu não vou terminar com ele.
- Então você será mesmo uma traidora.
Ele sorriu e continuou.
- O amor é algo extraordinário, não? Ele nos ergue até onde pertencemos. Tudo o que você precisa é de amor.
- Por favor, não comece.
- Tudo o que você precisa é de amor.
- Eu já tenho o amor dele. Eu... Eu não sei porquê vim aqui.
Ela virou-se para ir embora, quando ele gritou.
- Tudo o que você precisa é de amor!
- Pare.
Ele aproximou-se dela.
- Tudo o que você precisa é de amor. – sussurrou.
- O amor é só um jogo. – ela respondeu.
- Eu fui feito para te amar e você foi feita para me amar. Não consegue ver isso?
- O único modo de você me amar é me deixando ir.
Nervosa, ela se afastou dele.
- Só por uma noite. Em nome do amor.
- Está se iludindo, eu não vou fazer nada com você!
- Não me deixe assim. – ele lacrimejou levemente. - Você sabe que eu não posso sobreviver sem o seu amor. Não me deixe assim.
- Você acha que as pessoas estão cansadas de canções bobas de amor.
- Olhe em volta, você verá que não é assim.
- Pois algumas pessoas querem encher o mundo com este tipo de canção.
- E qual é o problema? Eu gostaria de saber. E vou dizer de novo: O amor nos ergue até onde pertencemos.
Ele olhou para o céu.
- Para onde as águias voam. No alto de uma montanha.
- Você está delirando. O amor só nos faz agir como idiotas, nos faz jogar nossas vidas fora por um único dia feliz.
- Porque este dia feliz será lembrado para sempre.
Ele pegou as mãos dela e a trouxe para perto de si.
- Nós poderíamos ser amantes!
- Eu não posso fazer isso.
- Nós deveríamos ser amantes, e isso é um fato.
- Nada vai nos manter juntos.
- E então - ele continuou -, roubaríamos o tempo por um dia. Veja como ele é mau com você. Seríamos heróis para sempre.
Ela desviou o olhar dela, pois sabia que ele estava conseguindo convencê-la. Ele puxou delicadamente seu rosto pelo queixo e olhou em seus olhos.
- Eu vou sempre te amar.
Ela tentou não chorar.
- Sinto muito, querida, mas eu não consigo não te amar.
Ainda com a mão em seu queixo, ele puxou os lábios dela e o beijo prolongou-se por longos segundos. Ao terminar, ela se afastou. Ele sorriu e olhou o parque à sua volta. Abriu bem os braços e deixou que os raios de sol iluminassem seu rosto.
- Como a vida é maravilhosa, agora que você está no mundo.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Coletânea de Amor
Imaginado por
Renan.
às
04:02
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1 devaneios:
Achei seu blog pelo facebook. Belos textos.
É impressão minha, ou esse em particular tem uma forte alusão a Moulin Rouge (um dos meus filmes preferidos)?
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