
Natasha caiu para trás e sentiu a brisa do campo em suas bochechas. Com os olhos fechados, ela tentava sentir o cheiro da grama molhada, das flores da campina e da madeira das árvores. Tudo aquilo era tão familiar, mas agora parecia de algo faltava.
Ela se lembrou da primeira vez em que estivera ali. Lorenzo prometera que a levaria ao seu lugar favorito fora da cidade e a trouxera para aquele campo.
- Eu gosto das rosas. – dizia ele sempre que chegavam ao local para ficarem a sós.
Olhar as rosas vermelhas e chamativas no campo era nostálgico. Elas lhe traziam as lembranças de volta à sua mente acostumada com a antiga rotina.
Ele era floricultor. Natasha entrou em sua loja para comprar flores para sua irmã, que estava prestes a se casar.
- Eu sou péssima para escolher flores. Você pode dar alguma dica sobre qual levar? – perguntou ela.
Ele a observou por algum tempo e ela retribuiu o olhar, hipnotizada pelos olhos verdes de Lorenzo. Ela nunca soube quanto tempo ficou parada olhando para o floricultor, apenas se lembra de sua pergunta.
- Qual a ocasião?
- Casamento. Da minha irmã.
Ele sorriu, iluminando o ambiente. Foi como se Natasha derretesse em plena noite de inverno.
- Rosas vermelhas. Leve um buquê delas. São tradicionais, mas demonstram todo o amor que sua irmã necessita no momento e a grandeza desse sentimento. – ele sorriu e continuou. - E dê a ela uma rosa amarela separada. Ela é mais rara, mas tem um significado especial. Peça para ela guardar em algum lugar especial em seu quarto, pois a rosa amarela permite a entrada do amor e transmite a sensação de presença da pessoa amada. Assim ela estará sempre próxima de quem ela ama.
Natasha ficara impressionada com o discurso e aceitou de imediato a sugestão do floricultor. Quando saiu da loja, porém, encontrou um bilhete dentro do embrulho da rosa amarela. Ele continha o nome daquele que viria a ser seu marido, junto com seu telefone.
Ela levantou e olhou para o campo sangrento, com as rosas balançando graças ao vento agora forte. O sol reluziu no centro do mar vermelho e chamou sua atenção. Ela andou devagar até ele, curiosa. Quando se aproximou, se lembrou de algo que Lorenzo falara.
- Se você fosse uma flor, qual gostaria de ser? – perguntou ele enquanto estavam deitados na grama, olhando as nuvens no céu turquesa.
- Não sei. – respondeu ela, pega de surpresa. – Acho que girassol.
- Por quê girassol?
- Porque ele segue o sol durante o seu percurso no céu e, bom, você sabe como eu gosto do sol. – ela parou por alguns segundos e então continuou. - E você?
- Uma rosa.
- Tradicional.
- Não, eu gostaria de ser uma rosa amarela. – respondeu ele, interrompendo-a. - Elas não são tão tradicionais. São pouco conhecidas, mas mesmo assim costumam fazer muito sucesso por reluzirem como o sol. Dessa forma, eu posso ser seu sol.
Ali, na frente dela, estava uma única rosa amarela. Rara de nascer em um campo onde apenas são cultivadas rosas vermelhas, mas lá estava ela, como um milagre. Ela arrancou a flor e sentiu seu aroma, melhor do que o das vermelhas. Lembrava-a do perfume de Lorenzo.
Por alguns segundos, ela nada disse, apenas observou a flor amarela que tinha em mãos. Então saiu do rápido transe e correu para seu carro, dirigindo até o cemitério da cidade. Andou até a lápide de Lorenzo e, com lágrimas nos olhos, agradeceu.
Voltando para casa, ela colocou a rosa em sua cabeceira, ao lado da foto de seu falecido marido. Ao dormir, ela agora se sentia protegida, pois sentia a presença de Lorenzo. Como se os olhos verdes dele estivessem olhando para ela e protegendo-a do perigo.
Pela primeira vez em meses, Natasha dormiu tranquila.
2 devaneios:
Oi Renan.
Adorei seu texto.... tem uma sensibilidade impar....
Vou visitar seu blog com mais frequencia....
beijos..
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Lindo, Renan, muito lindo mesmo. A FARMA está muito bem servida! =D
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