terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Pensamentos EMOcionais de Madrugada

Morte é algo tão estranho. Uma hora se está aqui. Na outra, não. Pior é talvez encarar a morte alheia. Quer dizer, se você morreu, você morreu. Não terá muitos problemas com isso (ou talvez tenha, não sei). Também não muda muito a sua vida se outras pessoas morrem. Pessoas quaisquer. Pessoas de noticiários.

"Incêndio em prédio comercial mata 42".

Mas quando alguém próximo morre, esse é o problema. Quarenta e duas pessoas morreram naquele incêndio. Quantos são os que estão sofrendo por causa dessas mortes? Como era a vida dos mortos? Eles tinham muitos amigos ou viviam sem vida social presos em suas casas? Eram jovens com um futuro promissor ou pessoas já de idade, com uma vida bem vivida (ou mal vivida)?

Acho que de tudo um pouco. Pessoas morrem todos os dias. Amanhã pode ser o seu pai, ou a minha mãe, ou até mesmo o meu cachorro que apesar da idade, cegueira, surdez e dos três "tumores quase câncer" continua de pé.

A morte é natural, mas é tão inexplicável, que eu mudo de opinião sobre ela a cada parágrafo. Uma vez, ela é horrível e não sabemos lidar com isso. Na próxima, ela está em todas as esquinas esperando a gente e apenas temos de ir a caminho dela.

Esse post está interessante e inútil ao mesmo tempo porque eu realmente não tenho ponto algum, nem sigo uma linha de raciocínio clara, mas acabei de assistir a um episódio de uma série que me deixou pensativo sobre o assunto.

Perdi meu avô recentemente e não percebi como foi e é estranho não tê-lo por perto. Não é pior, nem melhor, mas eu penso agora como foi sua vida dele e eu o admiro por quem ele foi e sempre será, em minha memória. Aliás, isso é o que sobra. Memórias. É de memórias que devemos nos manter quando o pior acontece. Memórias boas, outras nem tanto...

A gente nunca está preparado para o que pode acontecer. Podemos morrer amanhã, semana que vem ou daqui a dez ou trinta anos, mas também podemos tentar fazer o melhor para chegar ao máximo da vida. É o que eu vou fazer, porque eu sei que eu quero morrer como o meu avô: com quatro filhas que me amam, seis netos que me amam, três irmãs que me amam, mais alguns sobrinhos que me amam e, melhor ainda, ao lado da pessoa que, apesar de todas as separações, eu amo e sei que me ama de volta; a pessoa que cuidou de mim até o final, até eu não agüentar mais, mesmo caduco e gagá, sempre me amando muito; a pessoa que ficou do meu lado até no caixão.

Essa pessoa para o meu avô, foi a minha avó. E eu sei que ela ainda sente falta dele e para ela, assim como para todos, restaram apenas as memórias (sejam elas mentais, fotográficas ou escritas).

Talvez eu escreva um livro ou um conto baseado nisso. Seria legal, mas eu choraria mundo escrevendo...

Mas antes vou terminar de escrever esse post depressivo que eu sei que ninguém vai ler (como sempre), mas que eu precisava desabafar para conseguir dormir bem hoje. Se você, porém, contrariou as leis naturais e leu este post inteiro, agradeço e digo que é louco por ouvir as palavras de um aspirante a emo, mas também prometo que não sou assim o tempo todo e o blog não será preenchido por posts semelhantes, então não há motivo para preocupação.

4 devaneios:

críticatv disse...

o problema renan,é que a maior angústia do homem é a consciencia da sua finitude.alguns,buscam driblar esse fato recorrendo ás religiões ou até mesmo as ditas "seitas".
Tanto que, aprofundando-se nas teorias das principais religiões descobre-se que todas acreditam na vida após a morte ( cada uma na sua maneira) mas creem,até 70 virgens algumas ofereçem.
Já outros,preferem se lamentar. Definem a morte como um ponto final,e,que a partir desta só as lembranças sobraram,porém quanto tempo uma cena ou uma imagem durará em nossas memórias??
Resta portanto,escolher entre acreditar que essa partida seja um começo de uma nova viagem,ou,pensar que a pessoa que partiu cumpriu sua missão e passou esse dever a seus sucessores .

avarandados do anoitecer disse...

Emo não, isso tá mais pra "Mal du siècle" dos romanticos que emo... rsrs

abraço!

Diego disse...

Morte é estranho mas natural. Tem é que aceitar e lembrar sempre das coisas boas que a pessoa fez e com isso rir, não chorar. Chorar pela morte de alguém é um pensamento egocentrico. Tu chora porque vc sentiu a perda dela, mas esquece que se ela viveu bem e tu tem boas lembranças deveria abrir um sorrisão e agradecer que ela passou pela sua vida. É difícil, mas não impossível.

Alex disse...

que episódio d q série? ;P